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Os integrantes do Grupo, da esquerda para a direita: Maria Aparecida Nogueira, técnica administrativa da Ouvidoria; Cartegiano de Freitas da Silva, técnico operacional da Seção de Controle de Mercado, Viviane Morais, técnica administrativa da Seção de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas; Letícia Mecenas Silva, assistente social da Seção de Benefícios; Adrielle Melero, analista da Coordenadoria de Riscos e Conformidade; e Eduardo Faula, analista de sistemas da Seção de Infraestrutura de Tecnologia
A tarde de 29/04 foi ocasião para reunir os gestores da CEAGESP para uma palestra do Grupo de Trabalho para Identificação de Riscos Psicossociais (GTRP), realizada no Auditório Nelson Loda. Seguindo a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), a inclusão dos riscos psicossociais passa a ser obrigatória no chamado Gerenciamento de Riscos Ocupacionais das empresas, sejam públicas ou privadas.
A mudança que chega
“A evolução é contínua. Você, enquanto pessoa e profissional, passou por inúmeras mudanças até chegar aqui”, disse aos presentes Viviane Morais, técnica administrativa da Seção de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (SEDEP), que evocou alterações do ambiente profissional ao longo do tempo. “Estivemos sujeitos à transformação e também fomos agentes de transformação. Se você já era um líder, você teve que ensinar e incentivar sua equipe”, exemplificou.
“Há mudanças que vamos acompanhando gradativamente e outras que chegam e temos de nos adaptar, caso dos riscos psicossociais, que vieram para ficar”, adicionou a palestrante. “Ou a gente se adapta ou a gente se adapta, não há outra opção”, completou.
“Essa transformação vem desde 1990, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou a doença mental como um fator de risco”, contou Adrielle Melero, analista da Coordenadoria de Riscos e Conformidade (CORIC) em sua exposição.
Dimensão dos riscos psicossociais
“O Governo Federal precisou alterar normativos para não depender de ações pontuais das empresas”, disse Adrielle logo no início de sua participação. Entre os assuntos expostos, estão exemplos que se tornaram recorrentes no ambiente laboral: assédios moral e sexual, sobrecarga, pressão e jornadas excessivas, além da qualidade de comunicação entre os níveis hierárquicos.
“As metas, a sobrecarga, a falta de clareza na comunicação e a falta de reconhecimento foram identificadas como riscos no dia a dia”, relatou Adrielle. “As consequências dos fatores de risco são estresse ocupacional, burnout, ansiedade e depressão”, exemplificou. “Sinais de alerta aos quais os líderes precisam estar muito atentos: mudança de comportamento, irritabilidade, queda de desempenho, conflitos dentro da equipe e desengajamento”, detalhou a analista da CORIC.
Adrielle apresentou uma reportagem de janeiro de 2026 mostrando pesquisas sobre o assunto. “O número de afastamentos bateu novo recorde: aumentou 15,5% de 2024 para 2025”, alertou. “São mais de meio milhão de afastamentos, lembrando ainda que estes são os casos notificados. Temos de levar em conta quem não assume ter doença mental ou não quer contar por temer algum tipo de retaliação. Ainda tem as licenças menores, de até 14 dias, que não são contabilizadas no estudo. Logo, a quantidade de pessoas que sofrem com algum tipo de doença mental deve ser bem maior”, acrescentou.
“Os especialistas explicam que este aumento se deu por fatores como jornadas longas, pressão por mudanças com novas tecnologias e, ainda, vínculos precários de trabalho, como uma cicatriz da pandemia. Isso gera sobrecarga e, consequentemente, doença mental”, alertou Adrielle. A analista apresentou ainda que a maioria destes afastamentos são de mulheres. “Segundo o IBGE, em 82% das áreas de atuação as mulheres ganham menos do que os homens. Há também a sobrecarga da jornada dupla ou tripla, do trabalho em casa: cuidado com filhos, familiares, cuidados com a casa, etc.”, lembrou.
Em sua exposição, Adrielle ainda pontuou a violência contra a mulher como um dos principais fatores de risco psicossocial. “Vivemos uma epidemia chamada feminicídio: são 4 mulheres mortas por dia no Brasil. Estamos com medo o tempo todo, o que gera sobrecarga emocional”, completou.
A tradução desses riscos pela OMS vem em números gigantescos. “São 12 bilhões de dias úteis e US$ 1 trilhão perdidos com doenças mentais”, completou a analista.
O que precisa fazer um líder
“Nem toda doença ou transtorno mental são decorrentes do trabalho. Porém, se medidas não são tomadas para sua identificação nem realizado acompanhamento adequado, seus agravos podem resultar na corresponsabilização das empresas. Por isso, o papel do líder é fundamental nesse processo”, contou Letícia Mecenas Silva, assistente social da Seção de Benefícios (SEBEN), aos presentes no Nelson Loda.
“Temos uma hierarquia e nela, o líder está à frente, por isso vocês estão sendo os primeiros a receber estas informações”, disse Viviane. “Boas práticas diárias, como metas realistas sem sobrecarga de tarefas, feedback claro e conversa franca são de muita importância e contribuem para um bom ambiente profissional. Troque experiências com outro líder e se fortaleçam enquanto liderança”, completou.
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