8/1/202601:02:54
São Paulo, dezembro de 2025 - O índice de preços CEAGESP subiu 0,69% ante uma queda de -0,79% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado queda de -3,26% e, com o resultado obtido, encerrou o período apresentando um acumulado de -3,53% no ano e -3,53% em 12 meses.
Neste contexto, o destaque ficou com o setor de Diversos, que durante grande parte do segundo semestre de 2025 acumulou quedas, com retração expressiva em julho (-18,35%) e sucessivas baixas em agosto (-6,57%) e setembro (-4,52%), impulsionadas por safras recordes que geraram prejuízos nas lavouras. A virada em dezembro sinaliza, portanto, um reajuste necessário para a sustentabilidade da cadeia produtiva. O setor encerra o ano apresentando a menor variação de preço nos últimos 12 meses.
Setorização
O setor de FRUTAS caiu -0,70% ante uma alta de +1,32% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -5,08% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -2,67% no ano e de -2,67% em 12 meses. Dos 48 itens cotados nesta cesta de produtos, 52% apresentaram queda de preço.
As principais quedas ocorreram nos preços de CARAMBOLA (-49,16%), MARACUJÁ DOCE (-22,79%), FIGO (-22,18%), UVA NIÁGARA (-20,54%) e JACA (-16,57%). As principais altas ocorreram nos preços de MARACUJÁ AZEDO (+39,37%), MAMÃO HAVAÍ (+30,29%), GOIABA VERMELHA (+17,07%), MAMÃO FORMOSA (+16,97%) e PERA D’ANJOU IMP. ARGENTINA (+13,74%).
O setor de Frutas encerrou o ano apresentando uma variação média de preços de -0,70%. Embora pareça pequeno em termos agregados, este resultado está intrinsecamente ligado à transição sazonal para o verão e à vigência do fenômeno climático La Niña, que ao longo do ano de 2025 impôs um padrão de instabilidades climáticas com grandes volumes de chuva em diversas regiões produtoras. Historicamente, o mês de dezembro é marcado por um aumento natural na demanda por frutas, impulsionado pelas festas de fim de ano, que tendem a aquecer o consumo de itens in natura. Por outro lado, o aumento do volume de oferta contribuiu para o equilíbrio de mercado. Na comparação com o mesmo período do ano passado, este setor registrou alta de +0,8% e de +7,0% na comparação mensal.
A uva Niágara foi o item com a movimentação mais impactante no índice de dezembro. O incremento na oferta se deve ao pico da safra nas principais regiões produtoras. Devido a um período de estiagem anterior, houve atraso na colheita e a oferta se concentrou no mês de dezembro. As chuvas ocorridas no período foram cruciais para o amadurecimento final dos cachos, garantindo frutos doces e de excelente qualidade, especialmente para atender à demanda das festas de fim de ano.
O início da safra de maracujá doce em importantes regiões produtoras, como o interior de São Paulo e Minas Gerais, favoreceu para a alta no volume de oferta do produto no Entreposto Terminal São Paulo (ETSP). A maior incidência de radiação solar e a regularidade das chuvas durante o período de desenvolvimento da fruta contribuíram para a obtenção de frutos de qualidade e volume, resultando na redução de preços.
A região de Valinhos, reconhecida como a maior produtora de figo roxo do Brasil, iniciou sua safra 2025/2026 com grande volume em dezembro. O clima seco no início do ciclo de cultivo, seguido por chuvas bem distribuídas em dezembro, favoreceu uma colheita concentrada e abundante, contribuindo positivamente para a oferta no produto no mercado atacadista.
O setor de LEGUMES subiu +1,43% ante uma queda de -16,68% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +5,25% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -10,44% no ano e de -10,44% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 47% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de PEPINO JAPONÊS (+52,64%), ABÓBORA MORANGA (+52,24%), TOMATE CARMEM (+35,29%), CHUCHU (+33,26%) e PEPINO CAIPIRA (+32,35%). As principais quedas ocorreram nos preços de MAXIXE (-38,99%), PEPINO COMUM (-30,17%), BERINJELA JAPONESA (-25,90%), JILÓ (-22,74%) e BATATA-DOCE ROSADA (-22,37%).
Diferentemente do setor de Frutas, que se beneficiou da safra de verão, o setor de Legumes enfrentou uma transição de safras e adversidades climáticas típicas do início da estação quente, marcadas pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e do fenômeno La Niña. Este cenário resultou em chuvas acima da média histórica em parte da região Sudeste, impactando diretamente a colheita e a qualidade fitossanitária de produtos sensíveis ao excesso de umidade.
A valorização acentuada dos pepinos no mercado atacadista deve-se à drástica redução na quantidade ofertada no ETSP. O pepino é uma cultura altamente sensível a extremos climáticos e o calor excessivo acelerou a maturação, enquanto as chuvas frequentes em polos produtores de São Paulo e Rio de Janeiro prejudicaram o vigor das plantas e favoreceram doenças fúngicas, reduzindo o volume de oferta.
A redução no volume de oferta de abóbora moranga é reflexo de um desestímulo produtivo no ciclo anterior. Produtores em diversas regiões, incluindo o Sul e Sudeste, reduziram a área plantada devido aos preços baixos praticados no ano passado, que não cobriram os custos de lavoura. Além disso, o excesso de chuvas em dezembro comprometeu a qualidade dos frutos remanescentes no campo.
O tomate Carmem enfrentou alta nas cotações devido à transição produtiva. Dezembro marca a conclusão da safra de inverno nas principais praças de São Paulo e Minas Gerais, ocorrendo um “vazio” sazonal antes que a safra de verão atinja seu pico de produtividade. Embora as temperaturas elevadas acelerem a maturação, o volume total disponibilizado foi insuficiente para conter a pressão de preço gerada pela menor área de colheita no período.
A cultura do chuchu é particularmente sensível a variações climáticas abruptas. O excesso de chuvas em dezembro prejudicou a florada e a fixação dos frutos, além de dificultar o acesso às áreas de cultivo para a colheita. Esses fatores combinados resultaram em queda acentuada no volume mensal de oferta e, consequentemente, na alta dos preços.
O setor de VERDURAS caiu -2,52% ante uma alta de +1,85% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -1,01% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -12,40% no ano e de -12,40% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 44% apresentaram queda de preço.
As principais quedas ocorreram nos preços de RABANETE (-29,79%), ACELGA (-23,23%), NABO (-16,66%), COENTRO (-14,20%) e MANJERICÃO (-14,07%). As principais altas ocorreram nos preços de BRÓCOLOS RAMOSO (+21,34%), CHICÓRIA (+14,55%), BETERRABA COM FOLHA (+10,38%), SALSÃO BRANCO/VERDE (+10,23%) e CATALONHA (+9,57%).
A redução nos preços do rabanete e da acelga pode ser atribuída à baixa demanda sazonal por esses itens em dezembro, período em que outras verduras típicas de festividades ganham preferência. Além disso, a produção de rabanete e acelga em regiões de clima ameno manteve uma boa qualidade e fluxo constante, o que, diante de uma procura mais contida, forçou a redução dos preços para evitar perdas, dada a alta perecibilidade desses produtos.
A expansão do volume de oferta de nabo foi favorecida pelas condições climáticas de final de primavera e início de verão. Chuvas regulares e temperaturas amenas no início do mês propiciaram um desenvolvimento vigoroso das raízes.
Ervas aromáticas como coentro e manjericão prosperam em climas quentes. Em dezembro, o aumento das temperaturas e a umidade adequada estimularam o crescimento rápido dessas folhosas. A maior disponibilidade desses temperos frescos garantiu preços mais baixos, mesmo com a demanda aquecida para as festas de fim de ano.
O setor de DIVERSOS subiu +1,78% ante uma queda de -2,77% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -9,73% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -17,60% no ano e de -17,60% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 36% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de CEBOLA NACIONAL (+20,18%), BATATA LAVADA (+17,00%), BATATA ASTERIX (+2,27%) e AMENDOIM COM PELE (+0,56%). As principais quedas ocorreram nos preços de COCO SECO (-8,46%), OVOS VERMELHOS (-7,66%), BATATA ESCOVADA (-6,31%), OVOS BRANCOS (-5,39%) e ALHO NACIONAL (-3,95%).
Diferente dos demais setores, o de Diversos é composto por produtos com maior vida útil pós-colheita e ciclos produtivos que dependem de grandes extensões de terra e mecanização intensiva. O resultado apresentado pelo setor em dezembro reflete um “efeito chicote” após um ano de preços deprimidos.
Em dezembro, o mercado brasileiro passa por uma mudança estrutural no abastecimento de cebola, com a produção do Sudeste e do Centro-Oeste perdendo força e da região Sul assumindo o papel de principal ofertante do mercado nacional. A colheita das áreas precoces no Paraná e o início das atividades em Santa Catarina e Rio Grande do Sul definem a disponibilidade do produto no ETSP. A redução no volume mensal de oferta do produto é um indicativo de que a entrada da safra sulista não foi suficiente para o atendimento da demanda de fim de ano, o que acabou resultando na alta de preços.
O mercado de batatas apresentou um comportamento atípico, tendo o aumento na oferta sido insuficiente para conter a alta nos preços, especialmente na batata lavada. A explicação para isso está na irregularidade do fluxo de abastecimento causada pelas chuvas frequentes nas regiões produtoras. O excesso de umidade do solo dificulta a entrada de máquinas no campo e o beneficiamento (lavagem), gerando picos de preço em dias de menor entrada. Além disso, a procura pelo produto aumenta nessa época do ano devido as festividades de final de ano.
O setor de PESCADOS subiu +8,52% ante uma alta de +2,27% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +3,17% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +9,69% no ano e de +9,69% em 12 meses. Dos 28 itens cotados nesta cesta de produtos, 75% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de CAMARÃO CATIVEIRO (+29,89%), CAÇÃO AZUL (+28,54%), PESCADA MARIA-MOLE (+14,84%), POLVO (+12,61%) e ABRÓTEA (+10,93%). As principais quedas ocorreram nos preços de PEROÁ BRANCO (-42,14%), CAVALINHA (-22,39%), ANCHOVA (-20,32%), PESCADA BRANCA (-12,22%) e ATUM (-3,66%).
O incremento nos preços dos Pescados reflete a soma da forte pressão de demanda característica das festividades de final de ano e dos fatores climáticos que restringiram a oferta de espécies específicas.
O camarão de cativeiro foi o principal destaque. Embora o volume mensal de oferta do produto tenha crescido no ETSP, o aumento da demanda nessa época do ano impulsionou a alta de preços.
O cação azul e a abrótea funcionam como importantes substitutos de outras espécies. Para as ceias de final de ano, o preço de ambos subiu impulsionado pela procura de alternativas aos altos preços de peixes como o robalo e o tradicional bacalhau.
A pescada maria-mole enfrentou uma forte redução no volume mensal de oferta. As instabilidades climáticas na costa Sudeste prejudicaram a eficiência da pesca de arrasto. A escassez do produto, muito apreciado pelo mercado consumidor paulista pela sua versatilidade, forçou por sua valorização mesmo sendo um peixe de perfil mais popular.
Janeiro - 2026
| Categoria | Índice % |
|---|---|
| Geral | 0,69% |
| Frutas | -0,70% |
| Legumes | 1,43% |
| Verduras | -2,52% |
| Diversos | 1,78% |
| Pescados | 8,52% |
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