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11/3/202603:11:21

Índice Ceagesp cai -2,97% em fevereiro


- Descrição do Índice

São Paulo, fevereiro de 2026 - O índice de preços Ceagesp caiu -2,97% ante uma queda de -1,58% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado alta de +2,55% e, com o resultado obtido, encerrou o período apresentando um acumulado de -4,50% no ano e -4,91% em 12 meses.

Neste contexto, o destaque ficou com o setor de Legumes, que registrou queda de -1,75%, interrompendo um ciclo de forte alta verificada no período anterior, quando havia subido +25,20%. A retração observada trata-se de um movimento natural de correção, visto que os preços estavam em patamares muito elevados. A regularização da colheita no cinturão verde do oeste paulista aumentou o volume mensal de oferta de determinados produtos, principalmente do pepino japonês e do chuchu.

Análise Setorial

O setor de FRUTAS caiu -3,05% ante uma queda de -8,42% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +1,07% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -11,22% no ano e de -4,37% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 67% apresentaram queda de preço.

As principais quedas ocorreram nos preços de LARANJA BAIA (-28,71%), PITAIA (-28,15%), PERA DANJOU IMP. ARGENTINA (-27,40%), PERA WILLIAMS IMP. ARGENTINA (-26,37%) e MAMÃO FORMOSA (-23,61%). As principais altas ocorreram nos preços de MORANGO (+31,74%), UVA VITÓRIA (+19,04%), MAMÃO HAVAÍ (+14,54%), JACA (+13,92%) e ACEROLA (+13,58%).

O setor de Frutas encerrou o período com um movimento de desaceleração na queda em relação ao mês anterior. Apesar dessa leve recuperação, o cenário ainda é de preços sob pressão. A principal força motriz por trás do movimento de baixa foi o aumento na oferta de diversas culturas, combinado a fatores climáticos específicos e à dinâmica das safras.

O mês de fevereiro foi marcado por chuvas volumosas e generalizadas em praticamente todo o território nacional. Por um lado, o calor e a umidade aceleraram a maturação das frutas aumentando a oferta e pressionando os preços para baixo. Por outro lado, o excesso de chuvas dificultou a colheita, aumentou as perdas pós-colheita e reduziu a janela de comercialização de produtos mais sensíveis, impactando a qualidade e a oferta de determinados produtos.

A redução de preço da laranja baia é reflexo direto do aumento de oferta no Entreposto Terminal São Paulo (ETSP). A variedade nacional apresentou um volume mensal de oferta 15,7% maior quando comparado ao mês anterior. Além disso, a concorrência com as importadas de bom calibre e qualidade fez com que o produto nacional reduzisse de preço. A laranja baia importada do Egito, por exemplo, obteve um volume mensal de oferta 216,4% maior quando compara ao mês anterior.

A pitaia merece um destaque especial por manter uma trajetória de queda acentuada pelo segundo mês consecutivo. Após recuar -45,79% em janeiro, a fruta registrou nova baixa de -28,15% em fevereiro, período que marca o pico de entrada no mercado atacadista. A fruta vem ganhando espaço, principalmente, nas regiões produtoras de São Paulo e Santa Catarina, consolidando a cultura no Brasil com a ampliação de novas áreas de produção.

A Argentina é a principal origem das peras importadas comercializadas no ETSP. A redução de preço das variedades Danjou e Williams reflete a alta no volume mensal de oferta. Ao contrário do ciclo anterior, a safra 2025/2026 não sofreu com geadas tardias ou granizo severo na floração, resultando em uma alta produtividade por hectare. No Brasil, o clima quente e úmido acelerou o processo de maturação dos produtos que, associado ao excesso de volume de oferta, pressionou as cotações para baixo.

A combinação de fatores climáticos e as estratégias de manejo adotadas nas principais regiões produtoras de mamão Formosa favoreceram a redução de preço da fruta no mercado atacadista. No norte do Espírito Santo, a região passou por um período de temperaturas elevadas e chuvas bem distribuídas no final de 2025. Isso acelerou o ciclo de maturação dos frutos, resultando em uma concentração de colheita em fevereiro. Já no sul da Bahia, a produção entrou no mercado com bom padrão de qualidade, competindo diretamente com a produção capixaba, elevando a oferta do produto no mercado atacadista.

O setor de LEGUMES caiu -1,75% ante uma alta de +25,20% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +5,91% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +23,00% no ano e de -0,24% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 46% apresentaram queda de preço.

As principais quedas ocorreram nos preços de PEPINO JAPONÊS (-38,83%), CHUCHU (-37,04%), QUIABO (-31,59%), JILÓ (-21,08%) e PEPINO CAIPIRA (-15,88%). As principais altas ocorreram nos preços de PIMENTÃO VERMELHO (+75,61%), PIMENTÃO AMARELO (+62,17%), TOMATE SWEET GRAPE (+44,19%), PIMENTÃO VERDE (+42,58%) e ABOBRINHA ITALIANA (+36,54%).

O setor de Legumes registrou queda em fevereiro interrompendo um ciclo de forte alta verificada no período anterior. Esta retração já era esperada, dado o patamar elevado em que os preços se encontravam, funcionando como um movimento natural de correção de preços no atacado.

Naquela ocasião, o chuchu foi o produto com uma forte alta de preço, reflexo direto do “vácuo de oferta” causado pelo fim da safra no Espírito Santo e pelo atraso na colheita em São Paulo. Contudo, a regularização da colheita no cinturão verde paulista e, consequentemente, a alta no volume de oferta forçou a redução de preços no ETSP.

Assim como o chuchu, o pepino é uma hortaliça de ciclo curto e alta sensibilidade a condição climática durante o cultivo e a colheita. O pepino japonês é uma variedade, frequentemente, cultivada em ambiente protegido. Com a melhora na luminosidade da produção em estufas, o fluxo de colheita foi normalizado e a oferta da hortaliça se recuperou gerando uma forte retração nos preços. Por sua vez, o aumento da área colhida e a melhora na qualidade fitossanitária do pepino caipira permitiram a retomada da produtividade resultando em colheitas mais volumosas, derrubando as cotações.

Por serem culturas típicas de clima quente, o quiabo e o jiló encontraram, nas principais regiões produtoras, condições mais favoráveis ao plantio e à colheita. O aumento da oferta mensal (5% e 39%, respectivamente) resultou na redução de preços.

O setor de VERDURAS subiu +11,09% ante uma alta de +18,58% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +30,77% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +31,73% no ano e de -8,28% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 82% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de COUVE MANTEIGA (+56,52%), CATALONHA (+37,78%), REPOLHO VERDE/LISO (+36,85%), ESPINAFRE (+35,73%) e RABANETE (+31,85%). As principais quedas ocorreram nos preços de SALSA (-17,27%), BRÓCOLOS RAMOSO (-13,25%), CEBOLINHA (-7,16%), MILHO VERDE (-6,28%) e MANJERICÃO (-3,09%).

Embora o setor de Verduras continue em patamar elevado de preço, a desaceleração registrada no período caracteriza um movimento de mercado no qual tenta encontrar um novo ponto de equilíbrio após o choque de oferta ocorrido no mês anterior. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), fevereiro foi marcado pela combinação de calor excessivo e chuvas de forte intensidade nas principais regiões produtoras do cinturão verde paulista (Mogi das Cruzes, Ibiúna e Piedade). O excesso de umidade no solo e nas folhas favoreceu o aparecimento de doenças, reduzindo o aproveitamento comercial das hortaliças folhosas.

A couve-manteiga é uma folhosa extremamente sensível e perecível ao excesso hídrico. As chuvas volumosas não só danificam as folhas, tornando-as impróprias para a comercialização, como encharcam o solo, dificultando o manejo e a colheita. A oferta manteve-se estável, resultando na alta de preços.

Compartilhando da mesma sensibilidade da couve, a catalonha sofreu com as mesmas intempéries climáticas. A redução no volume mensal de oferta do produto indica que os produtores tiveram dificuldade de escoar a produção fazendo com que o preço reagisse fortemente. Aqueles que conseguiram colher produtos de melhor qualidade (menos danificado) conseguiram ampliar as margens de ganho, negociando a preços mais altos.

O volume mensal de oferta do repolho verde/liso caiu em fevereiro. Embora seja mais resistente ao excesso de chuvas, a redução de oferta diante de uma demanda um pouco mais aquecida devido ao retorno das férias escolares gerou pressão sob os preços. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 2,65/cabeça.

O setor de DIVERSOS subiu +5,98% ante uma queda de -4,20% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +5,79% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +1,52% no ano e de -20,27% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 73% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de OVOS VERMELHOS (+25,78%), OVOS BRANCOS (+25,20%), BATATA ASTERIX (+5,83%), BATATA ESCOVADA (+4,27%) e AMENDOIM COM PELE (+4,09%). As principais quedas ocorreram nos preços de ALHO NACIONAL (-5,18%), COCO SECO (-4,64%) e AMENDOIM SEM PELE (-1,64%).

O início do período da Quaresma em fevereiro impulsionou significativamente a demanda por ovos, que se tornam nessa época do ano uma alternativa de substituição à carne vermelha. Além disso, o fim das férias escolares e o retorno à rotina de consumo das famílias impulsionou o fluxo de comercialização. No campo, os custos com o milho e o farelo de soja pressionam as margens dos produtores, que tendem a repassar os custos acumulados ao preço de venda do produto.

Fatores climáticos contribuíram para a alta de preço das batatas. Chuvas frequentes nas principais regiões produtoras têm dificultado a colheita e a logística, limitando a disponibilidade do produto no mercado atacadista. Associado a isso, o mês de fevereiro marca um período de transição de safras, momento naturalmente propenso à volatilidade nas cotações. No ETSP, a batata Asterix encerrou o período ao preço médio de R$ 2,34/kg, seguido de R$ 2,47/kg para a batata escovada.

O setor de PESCADOS caiu -8,60% ante uma alta de +12,13% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -2,48% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +2,49% no ano e de +2,12% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 63% apresentaram queda de preço.

As principais quedas ocorreram nos preços de MANJUBA (-25,35%), ABRÓTEA (-18,53%), SALMÃO IMP. CHILE (-17,81%), SARDINHA LAGES (-15,60%) e XARÉU (-14,71%). As principais altas ocorreram nos preços de PEROÁ BRANCO (+38,46%), CAÇÃO AZUL (+11,73%), PESCADA GOETE (+9,59%), POLVO (+5,02%) e TILÁPIA (+1,54%).

A manjuba foi o produto com a maior redução mensal de preços. Este peixe pequeno e costeiro, muito apreciado em porções fritas, alcançou uma alta expressiva no volume de oferta quando comparado ao mês anterior. Em janeiro, a instabilidade atmosférica no litoral paulista impossibilitou a pesca artesanal de cerco, principal método de captura utilizado. Com o advento de condições mais favoráveis em fevereiro, a entrada do produto no ETSP superou a capacidade de absorção do mercado, levando ao deságio de preços.

Por sua vez, a abrótea é uma espécie de águas profundas, frequentemente capturada por arrasto, cuja oferta no Sudeste em fevereiro foi alimentada principalmente pelos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A melhoria logística e a maior produtividade das embarcações de médio porte garantiram a disponibilidade do produto. O item serve como alternativa ao bacalhau e sua queda de preço no período que antecede a Semana Santa é algo que favorece o consumidor.

O descompasso entre preço e a oferta mensal do salmão importado do Chile sugere que outros fatores macroeconômicos e mercadológicos impactaram na comercialização do produto. O salmão é uma commodity precificada em dólar. A valorização do real frente à moeda norte-americana reduziu o custo de importação, permitindo preços menores no atacado.

O período de defeso da sardinha (fresca) verdadeira encerrou-se em 28 de fevereiro. Durante o período, o mercado operou com estoques congelados e com a sardinha lages como principal substituta à fresca. Com o retorno da abertura de pesca da sardinha verdadeira, os comerciantes reduziram os preços da lages para liquidar os estoques e abrir espaço para o novo produto.

Índice CEAGESP

Primeiro balizador de preços de alimentos frescos no mercado, o Índice CEAGESP é um indicador de variação de preços no atacado de Frutas, Legumes, Verduras, Diversos e Pescados. Divulgados mensalmente, os 161 itens da cesta foram escolhidos pela importância dentro de cada setor e ponderados de acordo com a sua representatividade. O Índice foi lançado em 2009 pela CEAGESP, que é referência nacional em abastecimento.


Fevereiro - 2026

CategoriaÍndice %
Geral-2,97%
Frutas-3,05%
Legumes-1,75%
Verduras+11,09%
Diversos+5,98%
Pescados-8,60%




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