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9/2/202602:02:42

Índice Ceagesp cai -1,58% em janeiro


- Descrição do Índice

São Paulo, janeiro de 2026 - O índice de preços Ceagesp caiu -1,58% ante uma alta de +0,69% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado queda de -5,52% e, com o resultado obtido, encerrou o período apresentando um acumulado de -1,58% no ano e +0,49% em 12 meses.

Neste contexto, o destaque ficou com o setor de Frutas, que apresentou uma queda de preços de -8,42%. Dos 48 itens que compõem a cesta, 61% registraram redução de preços. O calor intenso registrado na primeira metade do mês acelerou o ciclo de maturação de frutos tropicais. Além do clima, a expansão de áreas cultivadas e o ganho de produtividade nas principais regiões produtoras impulsionaram a oferta de vários itens. Dessa forma, a deflação no setor de Frutas compensou as altas significativas observadas nos setores de Legumes e Verduras, equilibrando o valor médio ponderado da cesta de produtos frescos no início de 2026.

Análise Setorial

O setor de FRUTAS caiu -8,42% ante uma queda de -0,70% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -10,60% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -8,42% no ano e de -0,31% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 61% apresentaram queda de preço.

As principais quedas ocorreram nos preços de ABACATE GEADA (-48,74%), PITAIA (-45,79%), UVA NIÁGARA (-34,01%), FIGO (-29,56%) e AMEIXA IMP. ESPANHA (-26,97%). As principais altas ocorreram nos preços de COCO VERDE (+48,61%), LIMÃO SICILIANO (+24,79%), ABACAXI PÉROLA (+16,53%), GRAVIOLA (+14,50%) e MAÇÃ RED IMP. ARGENTINA (+14,26%).

O clima é a variável exógena de maior impacto para a fruticultura. Entre o final de dezembro de 2025 e ao longo de janeiro de 2026, o Brasil experimentou um padrão de instabilidade atmosférica marcado por contrastes regionais severos. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da Climatempo, a configuração de uma onda de calor no Sudeste e chuvas volumosas no Sul e Centro-Oeste foram determinantes para o ritmo das colheitas.

No Sudeste, principal polo consumidor e importante centro produtor, a primeira metade de janeiro foi caracterizada por uma onda de calor. Esse calor intenso acelerou a maturação de frutos tropicais, resultando no escoamento acelerado de produtos como o abacate. A variedade Geada é conhecida por sua precocidade e no ciclo 2025/2026 as áreas produtoras paulistas beneficiaram-se de um manejo nutricional foliar adequado, o que garantiu frutos bem formados e saudáveis no início da colheita. Sendo o abacate um fruto climatérico (que continua amadurecendo após a colheita), exige um giro rápido de estoque dos produtos. O aumento na oferta mensal pressionou os preços no Entreposto Terminal São Paulo (ETSP), fazendo-os atingir patamares próximos ao do custo de colheita e transporte.

A pitaia, frequentemente referida como a “fruta do dragão”, deixou de ser um item exótico e de nicho restrito, com o Brasil se consolidando cada vez mais na produção local desse produto. Em determinadas regiões, temperaturas amenas e insolação moderada na região permitiram uma floração exuberante e uma polinização eficiente. A expansão de novas áreas cultivadas e a adoção de tecnologias de manejo sustentável por agricultores familiares elevaram a produtividade por hectare.

As chuvas constantes e o excesso de umidade no início do mês, especialmente nas regiões produtoras de Jundiaí e Vinhedo, comprometeram a qualidade da uva niágara. A umidade excessiva favorece a ocorrência de doenças fúngicas e o “estouro” das bagas, além de reduzir o teor de açúcar (Brix). Sendo um produto de baixa durabilidade pós-colheita e com qualidade prejudicada, a demanda pela fruta diminuiu no mercado atacadista, já que possui grande procura principalmente no período de festas de fim de ano. Isso forçou a redução nos preços mesmo com redução mensal de oferta.

O setor de LEGUMES subiu +25,20% ante uma alta de +1,43% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +4,25% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +25,20% no ano e de +7,55% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 72% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de CHUCHU (+206,87%), VAGEM MACARRÃO (+82,82%), PEPINO COMUM (+77,52%), TOMATE CAQUI (+76,68%) e ABOBRINHA ITALIANA (+72,95%). As principais quedas ocorreram nos preços de PIMENTÃO VERMELHO (-42,32%), PIMENTÃO AMARELO (-41,41%), PIMENTÃO VERDE (-24,98%), TOMATE SWEET GRAPE (-8,63%) e ABÓBORA MORANGA (-4,47%).

O chuchu foi o item que registrou a maior variação de preço no setor de legumes. Este comportamento atípico para um legume tradicionalmente considerado de baixo custo e alta disponibilidade decorreu de uma convergência de fatores produtivos e logísticos. Sendo planta de clima quente e com desenvolvimento ideal entre 22°C e 25°C, é extremamente sensível a estresse térmico prolongado e variações bruscas de umidade. Em janeiro de 2026, as temperaturas máximas, que atingiram os 38°C em diversas áreas do Sudeste, causaram o abortamento de flores nos parreirais, impedindo a formação de novos frutos.

Ainda sobre o chuchu, o mês de janeiro marca o fim da safra no Espírito Santo, que historicamente regula o mercado paulista. No entanto, o atraso no início da colheita em São Paulo, devido às instabilidades climáticas, criou um vácuo de oferta no ETSP. O resultado foi uma pressão de demanda muito forte sobre o volume disponível reduzido, com o produto sendo desviado para suprir mercados do interior e da região Sul, que normalmente seriam atendidos pela produção capixaba.

A vagem macarrão registrou forte valorização de preço no mercado atacadista. Sendo um legume de ciclo rápido e colheita intensiva, é um dos termômetros mais sensíveis do cinturão verde de São Paulo. As principais regiões produtoras no estado enfrentaram semanas consecutivas de chuvas intensas, que dificultaram tanto o manejo fitossanitário quanto a colheita física do produto. Diferentemente de outros anos nos quais a vagem apresentou redução de preço devido à entrada da safra de verão, em 2026 o cenário foi de contenção. A combinação entre menor oferta e qualidade irregular elevou as cotações do produto.

O tomate caqui é uma cultura de alta sensibilidade que requer condições específicas de temperatura e umidade. A safra 2025/2026 enfrentou um cenário de umidade extrema que favoreceu a incidência de doenças e manchas bacterianas, capazes de dizimar lavouras inteiras em poucos dias quando em condições de calor e chuva frequente. A redução drástica na oferta do legume no ETSP (de 46 t mês anterior para 18 t em janeiro) é um reflexo direto da quebra de safra nas principais regiões produtoras. Além da redução quantitativa, a qualidade do tomate foi severamente comprometida. O excesso de calor acelerou a maturação dos frutos, resultando em redução da firmeza e durabilidade do produto.

O setor de VERDURAS subiu +18,58% ante uma queda de -2,52% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -3,79% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +18,58% no ano e de +7,97% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 80% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de COENTRO (+92,30%), ALFACE CRESPA HIDROPÔNICA (+75,13%), ALFACE CRESPA (+73,50%), ALFACE LISA HIDROPÔNICA (+70,94%) e ALFACE LISA (+60,53%). As principais quedas ocorreram nos preços de BETERRABA COM FOLHA (-9,15%), SALSÃO BRANCO/VERDE (-8,58%), MILHO VERDE (-4,91%), COGUMELO SHIMEJI (-3,23%) e CENOURA COM FOLHA (-0,85%).

A última semana de janeiro consolidou um cenário de crise para os produtores de verduras devido à atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema meteorológico responsável por chuvas volumosas e persistentes em diversas regiões do Sudeste. No estado de São Paulo, as pancadas de chuva causaram alagamentos e danos físicos direto às folhosas cultivadas em campo aberto. O excesso de umidade no solo favoreceu o surgimento de doenças conhecidas no jargão técnico como “mela”, que inviabilizaram a comercialização dos produtos.

No caso das alfaces crespa e lisa, grande parte do volume que ingressou no ETSP apresentava danos causados pelas fortes chuvas. Com isso, os produtos de qualidade superior tornaram-se escassos no mercado, elevando o preço médio ponderado desse cultivo.

Diferentemente do sistema de cultivo em campo aberto, o sistema de cultivo hidropônico sofreu com as interrupções no fornecimento de energia e com o aumento dos custos operacionais. A energia elétrica é um insumo crítico para o acionamento de bombas. As chuvas atrapalharam o manejo adequado das plantações, resultando em colheitas tardias e aumento nos custos logísticos nas propriedades. Ainda assim, por ter o cultivo protegido, esses agricultores conseguem colher produtos com qualidade acima da média para o período dada a adversidade climática, fazendo com que os preços se mantenham em patamares maiores.

A tendência para o setor está ligada diretamente à diminuição da frequência de temporais de verão, haja vista que o ciclo de recuperação de uma plantação de alface após danos causados pelo excesso de chuvas, por exemplo, é de aproximadamente entre 30 e 45 dias. Contudo, de acordo com o Climatempo, o mês de fevereiro poderá apresentar uma precipitação média de até 215 mm entre as principais regiões produtoras do cinturão verde paulista, o que ainda é considerado elevado e mantém o risco fitossanitário na produção.

O setor de DIVERSOS caiu -4,20% ante uma alta de +1,78% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -0,83% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -4,20% no ano e de -20,41% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 64% apresentaram queda de preço.

As principais quedas ocorreram nos preços de CEBOLA NACIONAL (-14,45%), BATATA ESCOVADA (-11,80%), OVOS BRANCOS (-8,65%), BATATA LAVADA (-3,27%) e ALHO NACIONAL (-2,73%). As principais altas ocorreram nos preços de AMENDOIM SEM PELE (+12,55%), OVOS DE CODORNA (+7,76%), COCO SECO (+4,37%) e AMENDOIM COM PELE (+3,99%).

A deflação observada no setor de Diversos, em geral, exerce um papel importante no controle das expectativas inflacionárias para o grupo de alimentação no domicílio. Itens relevantes, como cebola e batata, possuem baixa elasticidade-renda, ou seja, são consumidos de forma regular independentemente das oscilações econômicas. A redução nos preços desses itens libera renda das famílias para o consumo de outros tipos de produtos in natura.

Contudo, do ponto de vista do produtor, o cenário inspira cautela. A rentabilidade do setor está sob pressão. No caso dos ovos, a combinação de preços mínimos históricos com custos de ração elevados pode levar a um ajuste futuro no plantel de aves, reduzindo a oferta nos próximos meses e provocando uma inversão na tendência de preços. Para os produtores de batata e cebola, a eficiência logística e a capacidade de armazenamento serão os diferenciais para enfrentar períodos de excesso de oferta.

Outro ponto importante de ser destacado para o setor de Diversos é com relação às mudanças estruturais trazidas pelo acordo Mercosul-União Europeia. As discussões destacam a necessidade de preparação das Centrais de Abastecimento para um ambiente de maior abertura comercial. Produtos como o alho e batata podem sofrer pressões competitivas adicionais, exigindo investimentos em tecnologia e padronização para que o produto nacional mantenha sua relevância no mercado atacadista.

No curto prazo, as condições climáticas para o primeiro trimestre de 2026 serão determinantes para o setor. O prognóstico do INMET indica um cenário de neutralidade climática, sem influência direta de fenômenos globais como El Niño ou La Niña. Este estado de neutralidade implica que o regime de chuvas no Brasil está sendo regido por sistemas regionais, resultando em uma distribuição pluviométrica irregular nas áreas produtoras. Na região Sul, as chuvas e a umidade podem representar um alerta para os produtores de cebola e batata em relação ao manejo de doenças que podem afetar o pós-colheita. Na região Sudeste, a previsão sinaliza risco de veranicos e temperaturas acima da média, o que demanda maior eficiência nos sistemas de irrigação e conservação de água no solo para as lavouras de batata.

O setor de PESCADOS subiu +12,13% ante uma alta de +8,52% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +12,90% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +12,13% no ano e de +8,95% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 73% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de PEROÁ BRANCO (+46,40%), TAINHA (+38,58%), MANJUBA (+37,82%), PESCADA BRANCA (+28,28%) e NAMORADO (+27,54%). As principais quedas ocorreram nos preços de ESPADA (-8,56%), CAMARÃO CATIVEIRO (-6,63%), ROBALO (-5,51%), PINTADO (-5,48%) e CAÇÃO AZUL (-3,20%).

A passagem de uma frente fria de forte intensidade em janeiro trouxe um alívio temporário ao calor, mas foi acompanhada por uma massa de ar frio de origem polar com força acima do normal para o verão. Este fenômeno, aliado à formação de um ciclone extratropical no litoral da região Sudeste, provocou episódios severos de ressaca marítima. A Marinha do Brasil e a Defesa Civil emitiram alertas para ondas de até 3 metros no Litoral Norte de São Paulo.

Essas condições de mar agitado possuem um efeito bifásico na oferta de pescados. Primeiramente, impedem a saída de pequenas embarcações, reduzindo a oferta de espécies costeiras como a manjuba e o namorado. Em um segundo momento, a agitação do fundo do mar pode dispensar ou concentrar cardumes, alterando os custos de captura. Neste sentido, o cenário de preços no setor para esse início de ano foi marcado por uma volatilidade de preços acentuada mesmo diante de um aumento no volume mensal de oferta, com peroá branco e tainha sendo exemplos dessa conjunção de fatores.


Janeiro - 2026

CategoriaÍndice %
Geral-1,58%
Frutas-8,42%
Legumes25,20%
Verduras18,58%
Diversos-4,20%
Pescados12,13%




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