9/4/202604:02:06
São Paulo, março de 2026 - O índice de preços CEAGESP subiu +5,16% ante uma queda de -2,97% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado alta de +3,95% e, com o resultado obtido, encerrou o período apresentando um acumulado de +0,43% no ano e -3,80% em 12 meses.
Neste contexto, o destaque ficou com o setor de Pescados, que pelo segundo mês consecutivo apresentou variação negativa de preços. O fim do período de defeso para várias espécies nas mais diferentes regiões do país favoreceu o aumento no volume mensal de oferta dos produtos impactando diretamente no resultado obtido pelo setor no período.
Análise setorial
O setor de FRUTAS subiu +3,07% ante uma queda de -3,05% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +2,50% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -8,49% no ano e de -3,84% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 51% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de UVA CRIMSON (+38,06%), MARACUJÁ DOCE (+30,60%), KIWI IMPORTADO (+28,14%), MELÃO AMARELO (+22,86%) e UVA NIÁGARA (+19,54%). As principais quedas ocorreram nos preços de MAÇÃ FUJI (-23,31%), LIMÃO SICILIANO (-22,77%), ABACATE GEADA (-18,28%), MAÇÃ GALA (-14,39%) e PERA DANJOU IMPORTADA (-13,17%).
O cenário produtivo em março foi marcado por uma transição climática complexa. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o Climatempo, o fenômeno La Niña, que atuou com baixa intensidade desde o final de 2025, entrou em processo de dissipação, levando o Pacífico Equatorial a um estado de neutralidade térmica. Entretanto, a observação de um El Niño costeiro nos litorais de Peru e Equador já provoca reflexos no aquecimento do centro-sul brasileiro. Essa transição climática é desafiadora para a fruticultura, pois altera os regimes de chuva e aumenta a amplitude térmica nas principais regiões produtoras. Além disso, a Semana Santa gerou um choque de demanda positivo sobre o setor. Historicamente, este período registra um dos maiores picos de consumo do ano, demandando um volume maior de frutas.
Nem mesmo o aumento na oferta mensal de uva Crimson, variedade com alto valor agregado, foi capaz de conter os preços. No atacado do Entreposto Terminal São Paulo (ETSP), o item encerrou o período cotado a R$ 13,60/kg, com variação de preço de +28,5% nos últimos 12 meses.
Por outro lado, a menor disponibilidade de uva Niágara no ETSP forçou a elevação dos preços (variedade que compõe a base de consumo de mesa). Esta redução no volume de oferta é atribuída principalmente à sazonalidade, já que o produto tem o pico de colheita nos meses de novembro a janeiro. As condições climáticas nas regiões produtoras desempenharam papel importante, pois essa variedade é extremamente suscetível ao excesso de umidade. As chuvas, ocorridas em março e em períodos anteriores, favoreceram a ocorrência de doenças fúngicas e o “rachamento” dos bagos, dificultando a comercialização in natura.
A alta de preços do melão amarelo reflete o encerramento do calendário produtivo nas principais regiões produtoras. Segundo o Mapa de Sazonalidade (2023 – 2025) divulgado pela CEAGESP, o período de meados de setembro a dezembro concentra o maior volume de entrada desse produto no ETSP, com março já representando um período de baixa oferta devido ao início da entressafra.
O setor de LEGUMES subiu +22,87% ante uma queda de -1,75% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +16,36% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +51,13% no ano e de +5,35% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 66% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de VAGEM MACARRÃO (+68,19%), TOMATE PIZZA’DORO (+63,23%), CENOURA (+58,94%), BERINJELA COMUM (+51,77%) e TOMATE CARMEM (+47,52%). As principais quedas ocorreram nos preços de CHUCHU (-54,73%), INHAME (-8,71%), MANDIOCA (-7,26%), JILÓ (-6,10%) e MAXIXE (-5,56%).
O setor encerrou o período com uma expressiva valorização, revertendo a tendência deflacionária observada no mês anterior. O principal vetor dessa alta foi a instabilidade climática nas regiões produtoras, com a persistência de precipitações volumosas comprometendo a integridade física de produtos sensíveis. A vagem macarrão e o tomate Pizza’doro lideraram as altas de preços no setor devido à combinação de abortamento floral e incidência de doenças, que reduziram o volume de oferta mensal.
No caso da cenoura, as chuvas reduziram a oferta de raízes de qualidade superior e o excesso hídrico provocou deformidades e a chamada “mela”, elevando o patamar de preços. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 4,19/kg, com variação de preço de +32,9% nos últimos 12 meses.
O tomate Carmem, apesar de um incremento marginal no volume mensal de oferta, registrou alta de preços impulsionada pela forte demanda por produtos com melhor qualidade, escassos no período.
O setor de VERDURAS subiu +4,29% ante uma alta de +11,09% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +2,03% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +37,38% no ano e de -6,25% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 74% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de BETERRABA COM FOLHA (+52,97%), SALSA (+48,59%), REPOLHO LISO/VERDE (+30,86%), COUVE-FLOR (+29,45%) e COUVE MANTEIGA (+26,48%). As principais quedas ocorreram nos preços de COENTRO (-38,37%), RABANETE (-3,55%), BRÓCOLOS NINJA (-3,29%), ALFACE AMERICANA (-1,71%) e ALFACE LISA HIDROPÔNICA (-1,53%).
O setor de Verduras encerrou o período sinalizando uma desaceleração no ritmo de alta de preços. Contudo, o cenário permanece sob forte pressão, haja vista que o primeiro trimestre do ano encerrou com um acumulado de +37,38%. A dinâmica mensal foi influenciada pela instabilidade climática característica da transição entre o verão e o outono. O calor e as chuvas que atingiram as principais regiões produtoras do cinturão verde paulista prejudicaram o desenvolvimento das culturas no campo e geraram maior descarte dos produtos no ETSP. Essas variações climáticas são cruciais para a produção de hortaliças e impactam diretamente na oferta e qualidade dos produtos.
Um bom exemplo disso é a couve-flor. O calor excessivo impediu o fechamento da “cabeça” da hortaliça, resultando em produtos de menor qualidade e com preços mais caros, pois é hortaliça sensível ao manejo e exige condições específicas de solo e clima para o seu cultivo. A redução significativa no volume mensal de oferta representa bem todo esse cenário. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 6,30/cabeça, com estabilidade na variação de preço de +0,3% nos últimos 12 meses.
O setor de DIVERSOS subiu +12,77% ante uma alta de +5,98% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +2,93% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +14,48% no ano e de -12,65% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 82% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de CEBOLA NACIONAL (+42,69%), BATATA ASTERIX (+29,00%), OVOS VERMELHOS (+12,17%), BATATA LAVADA (+11,70%) e OVOS BRANCOS (+10,96%). As principais quedas ocorreram nos preços de COCO SECO (-2,43%) e OVOS DE CODORNA (-1,17%).
A cebola nacional impulsionou as altas de preços no setor devido ao clima e à transição entre safras. As chuvas ocorridas em períodos anteriores dificultaram o processo de cura (secagem) e armazenamento dos estoques, resultando em uma disponibilidade menor de bulbos de melhor qualidade no mercado atacadista da CEAGESP. Além disso, os preços do produto refletiram o encerramento do ciclo produtivo em regiões importantes de produção no sul do país. A transição para áreas de produção na região Sudeste também acabou sendo impactada pelas chuvas, reduzindo o volume mensal de oferta no período. Deste modo, o produto encerrou o período ao preço médio de R$ 2,69/kg, com variação de preço de +21,5% nos últimos 12 meses.
Entre os tubérculos, as batatas mantiveram a tendência de valorização. A batata Asterix e a batata lavada tiveram seus preços médios no ETSP condicionados pela instabilidade na colheita nas principais regiões produtoras, principalmente em São Paulo. O excesso de umidade no solo dificultou o trabalho das máquinas e comprometeu o aspecto visual, elevando o ágio sobre os lotes de qualidade superior. Devido à proximidade da Semana Santa, houve concomitância com a pressão de consumo normal deste período.
Em complemento, os ovos vermelhos e brancos registraram altas devido à sazonalidade da Quaresma e mesmo o incremento no volume mensal de oferta não foi suficiente para conter o avanço nos preços. No mercado atacadista da CEAGESP, a variedade vermelha encerrou o período ao preço médio de R$ 8,05/dúzia enquanto a variedade branca registrou R$ 7,15/dúzia.
O setor de PESCADOS caiu -0,97% ante uma queda de -8,60% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +1,90% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +1,50% no ano e de -0,29% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 57% apresentaram queda de preço.
As principais quedas ocorreram nos preços de CURIMBA (-32,99%), ROBALO (-22,18%), CAVALINHA (-20,67%), PEROÁ BRANCO (-16,85%) e CAMARÃO CATIVEIRO (-8,71%). As principais altas ocorreram nos preços de PESCADA AMARELA (+19,02%), PESCADA BRANCA (+14,21%), SARDINHA LAGES (+5,63%), TILÁPIA (+4,04%) e BONITO (+2,72%).
Historicamente, o mês de março é marcado por pressões inflacionárias no setor de Pescados decorrentes da tradição religiosa da Quaresma. Entretanto, o resultado obtido neste ano indica que o setor conseguiu manter uma boa oferta de produtos capaz de “neutralizar” a pressão de demanda típica desta época do ano. Com o encerramento das restrições de pesca de várias espécies nativas nas mais diferentes regiões do país, o volume de peixe se acumulou durante este período e resultou em capturas volumosas nos primeiros dias de março.
O aumento no volume mensal de oferta da curimba no Entreposto de Pescados de São Paulo (EPSP) é reflexo desse cenário. Este item é valorizado no mercado devido a sua alta densidade calórica, tornando-se uma das principais alternativas para o consumidor que buscou substituir a carne vermelha durante a Quaresma. O produto encerrou o período ao preço médio de R$ 15,45/kg, com variação de preço de +32,5% nos últimos 12 meses.
A temperatura das águas superficiais, mantida elevada pelo calor residual do verão e pela influência (mesmo que pequena) do El Niño costeiro, manteve os cardumes de robalo muito próximos à costa, facilitando a pesca no litoral e a comercialização do produto no EPSP. Em março, o preço médio do produto foi de R$ 44,71/kg, com variação de preço de -8,3% nos últimos 12 meses.
A cavalinha é um peixe de pequeno porte, frequentemente associado a capturas em grande escala. A queda na média mensal de preços reflete o aumento que o item teve no volume mensal de oferta decorrente das capturas ocorridas, principalmente, nos litorais sul e sudeste. No mercado atacadista da CEAGESP, o item encerrou o período ao preço médio de R$ 4,35/kg com variação de preço de +18,1% nos últimos 12 meses.
Março - 2026
| Categoria | Índice% |
|---|---|
| Geral | 5,16% |
| Frutas | 3,07% |
| Legumes | 22,87% |
| Verduras | 4,29% |
| Diversos | 12,77% |
| Pescados | -0,97% |
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