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11/5/202605:12:33

Índice CEAGESP sobe +2,31% em abril


- Descrição do Índice

São Paulo, abril de 2026 - O índice de preços CEAGESP subiu +2,31% ante uma alta de +5,16% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado queda de -2,30% e, com o resultado obtido, encerrou o período apresentando um acumulado de +2,75% no ano e +0,74% em 12 meses.

Neste contexto, o destaque ficou com o setor de Verduras, único a apresentar variação negativa de preços no período. O setor rompeu a trajetória de altas observadas no primeiro trimestre, beneficiado pela melhora nas condições de cultivo: o clima mais seco e a maior incidência solar favoreceram o manejo das hortaliças folhosas.

Somado ao fator produtivo, o comportamento da demanda exerceu papel fundamental na deflação. Os feriados ocorridos no período reduziram o ritmo de comercialização de produtos de alto giro, como a alface crespa, que registrou a maior redução de preço desse grupo de alimentos.


Setorização

O setor de FRUTAS subiu +1,38% ante uma alta de +3,07% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -1,88% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -7,23% no ano e de -0,66% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 47% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de MELANCIA (+31,91%), PITAIA (+27,10%), PINHA (+22,60%), UVA NIÁGARA (+22,46%) e AMEIXA IMPORTADA (+19,61%). As principais quedas ocorreram nos preços de MARACUJÁ DOCE (-33,38%), CARAMBOLA (-16,13%), ABACATE (-13,30%), MAÇÃ FUJI (-13,17%) e LARANJA BAÍA (-11,56%).

A melancia foi o produto que apresentou a variação positiva mais expressiva de preços no período analisado. A combinação de chuvas abaixo da média com temperaturas acima do padrão médio histórico nas principais regiões produtoras reduziu a quantidade mensal de oferta da fruta no Entreposto Terminal São Paulo (ETSP). A menor disponibilidade de melancias de padrão “graúdo” e com bom teor de brix (doçura) elevou a disputa entre os compradores atacadistas. Esse fator, associado à demanda aquecida pelo produto, acabou contribuindo para a elevação de preço da fruta. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 2,45/kg com variação de preço nos últimos 12 meses de +21,7%.

A redução na quantidade mensal de oferta da pitaia reflete o encerramento da safra, principalmente na região Sudeste. O calor e a irregularidade das chuvas nas principais áreas produtoras prejudicaram a colheita final do produto. Colaborou para a alta dos preços o estresse hídrico, que acabou prejudicando a qualidade dos frutos remanescentes.

O mês de abril caracterizou-se pelo encerramento da safra regular e pela finalização das áreas de colheita tardia de uva niágara. O ciclo final da fruta foi marcado por uma produtividade menor devido ao esgotamento das reservas de frio e do baixo armazenamento hídrico para a maturação dos cachos, o que resultou na redução do volume mensal de oferta do produto e, consequentemente, na elevação dos preços.

Segundo projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a expectativa para os próximos meses é a de formação do fenômeno climático El Niño. Para a região Sudeste, a tendência é de redução ainda maior no volume de chuvas e incidência de calor persistente. Esse cenário poderá manter em trajetória de alta os preços das frutas, principalmente aquelas sensíveis e de clima temperado e tropical.

O setor de LEGUMES subiu +6,11% ante uma alta de +22,87% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -7,00% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +60,36% no ano e de +20,19% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 56% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de MAXIXE (+40,61%), CENOURA (+40,43%), QUIABO (+37,17%), PEPINO COMUM (+22,14%) e TOMATE CARMEM (+18,94%). As principais quedas ocorreram nos preços de ABOBRINHA ITALIANA (-42,94%), BERINJELA (-28,38%), INHAME (-21,05%), BATATA-DOCE ROSADA (-16,43%) e CARÁ (-15,13%).

O setor de Legumes registrou uma forte desaceleração em relação ao mês anterior. Apesar do arrefecimento, o resultado mantém o movimento de pressão de alta dos preços, tendo o contexto climático como fator preponderante para o comportamento dos preços no setor. A combinação de calor e chuvas irregulares acelerou a evapotranspiração dos legumes, principalmente entre os mais sensíveis.

O maxixe é uma cultura altamente sensível à umidade do solo e ao estresse térmico. A combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas nas principais regiões produtoras durante o mês de abril reduziu o volume mensal de oferta da leguminosa, pressionando as cotações para o maior patamar do ano.

A cenoura foi um dos itens que mais impactou a inflação observada no setor de Legumes, repetindo a tendência já observada no mês anterior. A disparada do preço está ligada à menor oferta de raízes de qualidade superior, agravada pelo excesso hídrico no verão, que provocou deformidades e a chamada “mela”. Em abril, o volume mensal de oferta seguiu restrito no ETSP, especialmente das cenouras vindas de Minas Gerais, com relatos de baixo calibre e alta incidência de raízes danificadas.

O calor sem a devida compensação hídrica causou o rápido endurecimento das fibras do quiabo, resultando em uma colheita de exemplares mais fibrosos, que perdem valor comercial e rapidamente são descartados. A redução no volume mensal de oferta do produto gerou pressão de preços nos lotes que atendiam aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado.

O volume mensal de oferta do pepino comum no ETSP foi prejudicado pelo calor, que acelerou o ciclo de produção e comprometeu a produtividade no campo. As condições desfavoráveis de produção nas regiões produtoras, principalmente São Paulo e Minas Gerais, resultou na alta de preços do produto. No mercado atacadista da capital, o item encerrou o período cotado a R$ 2,88/kg, com a variação de preço nos últimos 12 meses sendo de +127,3%.

Variedade muito apreciada por sua coloração intensa e sabor adocicado, o volume mensal de oferta do tomate Carmem foi diretamente afetado pela transição entre a safra de verão, que desacelerou, e a safra de inverno, ainda em seu início. Algumas regiões produtoras caminharam para o final da temporada de verão, enquanto outras praças ainda estão em fase inicial de colheita, com baixa produtividade.

O setor de VERDURAS caiu -2,80% ante uma alta de +4,29% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -11,91% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +33,54% no ano e de +3,45% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 64% apresentaram queda de preço.

As principais quedas ocorreram nos preços de ALFACE CRESPA (-27,11%), COUVE MANTEIGA (-23,12%), RABANETE (-17,94%), BRÓCOLOS RAMOSO (-16,86%) e NABO (-16,18%). As principais altas ocorreram nos preços de SALSA (+22,30%), REPOLHO VERDE/LISO (+16,50%), CEBOLINHA (+16,23%), COENTRO (+14,24%) e COGUMELO PARIS (+7,39%).

Após um primeiro trimestre de altas significativas, o setor de Verduras registrou uma redução de -2,80%, movimento impulsionado tanto por condições climáticas favoráveis à produção quanto por arrefecimento da demanda. Contudo, apesar da deflação mensal, o indicador de preços do setor acumula uma alta expressiva no ano e uma variação moderada nos últimos 12 meses.

As condições climáticas de tempo mais seco e temperaturas acima da média no período foram benéficas para a produção de hortaliças folhosas e outras verduras de ciclo curto. A diminuição no volume de chuvas combinada com uma boa incidência solar favoreceu o manejo no campo, a qualidade e a disponibilidade de diversas variedades.

Culturas como brócolos ramoso e nabo apresentaram um quadro clássico de pressão de oferta. A alta no volume mensal de oferta desses produtos pressionou as cotações para baixo.

Por sua vez, alface crespa, couve manteiga e rabanete tiveram quedas expressivas no preço, mesmo com um volume mensal de oferta menor. A explicação para isso vem pelo lado da demanda, impactada pelos feriados ocorridos no período, que diminuíram o ritmo de comercialização desses produtos no mercado atacadista.

Mantendo-se tudo o mais constante, a tendência para os próximos meses é de que os preços no setor permaneçam sob controle à medida que o outono se consolide e as condições para o cultivo de verduras mantenham-se favoráveis.

O setor de DIVERSOS subiu +5,95% ante uma alta de +12,77% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de +5,87% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +21,30% no ano e de -12,58% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 45% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de BATATA LAVADA (+21,82%), BATATA ESCOVADA (+18,88%), CEBOLA NACIONAL (+16,20%), BATATA ASTERIX (+14,56%) e COCO SECO (+12,19%). As principais quedas ocorreram nos preços de AMENDOIM SEM PELE (-7,10%), OVOS BRANCOS (-6,67%), OVOS VERMELHOS (-5,12%), ALHO NACIONAL (-4,85%) e AMENDOIM COM PELE (-1,12%).

Mesmo com a desaceleração observada no período, os preços no setor de Diversos permaneceram pressionados pela conjuntura de produção e comercialização das batatas e da cebola nacional.

A valorização das batatas é atribuída principalmente ao menor ritmo de produção e de finalização da safra do período úmido (a chamada “safra das águas”) e o início gradual da safra do período seco (conhecida por “safra das secas”). Essa mudança sazonal de produção cria um vácuo de oferta, resultando na redução natural do volume oferecido no mercado, o que acaba exercendo pressão de alta sobre os preços. Além disso, as condições climáticas adversas, como chuvas intensas no início do plantio, comprometeram a produtividade em determinadas regiões produtoras.

Segundo informações obtidas no mercado sobre a cebola nacional, a alta nos preços reflete uma redução significativa da área plantada em importantes regiões produtoras do país, sendo consequência do desafio financeiro enfrentado pelos produtores nas safras anteriores. Adicionalmente a isso, ocorreu também a redução da oferta devido a sazonalidade da cultura, contribuindo para redução no volume mensal de oferta do produto no ETSP. Mesmo o aporte de cebolas importadas não foi o suficiente para conter o avanço nos preços.

A alta de preços do coco seco observada no período teve influência de dois fatores. A região Nordeste, origem de grande parte desse produto comercializado no atacado da capital paulista, enfrentou um período chuvoso intenso no primeiro trimestre deste ano, o que dificultou a colheita e a disponibilidade. Por sua vez, o setor industrial de coco ralado, leite de coco e óleo de coco intensificou suas compras nos grandes centros produtivos para suprir a demanda alimentícia voltada às festividades no meio do ano, o que gerou concorrência com o mercado atacadista.

O setor de PESCADOS subiu +3,09% ante uma queda de -0,97% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de -1,50% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +4,63% no ano e de +4,36% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 57% apresentaram alta de preço.

As principais altas ocorreram nos preços de XARÉU (+43,83%), ROBALO (+19,77%), MANJUBA (+16,23%), BONITO (+9,28%) e SALMÃO IMPORTADO (+7,61%). As principais quedas ocorreram nos preços de SARDINHA LAGES (-37,59%), ANCHOVA (-30,49%), PESCADA BRANCA (-7,69%), SARDINHA FRESCA (-7,60%) e CAVALINHA (-4,57%).

As espécies de captura oceânica e costeira dominaram a lista de maiores altas de preço, refletindo nas consideráveis reduções no volume mensal de oferta. O xaréu e o bonito são peixes pelágicos cujos cardumes migram de acordo com a temperatura da água e a disponibilidade de alimento. A redução no volume mensal de oferta desses itens sugere um afastamento dos cardumes da costa brasileira em direção a águas mais profundas e frias, possivelmente devido ao aquecimento superficial do mar por anomalias térmicas ocorridas no mês de abril.

Por ser um peixe de pequeno porte capturado principalmente por pesca artesanal costeira, a disponibilidade de manjuba é extremamente sensível a condições climáticas locais. A passagem de um ciclone extratropical no mês de abril provocou ventos fortes e ressacas no litoral Sul e Sudeste do Brasil. Tais condições meteorológicas adversas impediram a saída de embarcações de pesca de pequena e média escala, resultando na redução do volume mensal de oferta e, consequentemente, na alta de preço do produto.


Abril - 2026

CategoriaÍndice (%)
Geral2,31%
Frutas1,38%
Legumes6,11%
Verduras-2,80%
Diversos5,95%
Pescados3,09%




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